27 de ago de 2009

O "não-querer" é contrarrevolucionário

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É dito que a felicidade é a coincidência entre o que se VIVE e o que se DESEJA. O que se vive é objetivo; não se pode mudá-lo pela força de vontade (falamos disso em Base e superestrutura. E Chopin). Mas a sua identidade com aquilo que queremos é, se não impossível, raro. Como evitar a infelicidade, então, já que não podemos mudar a realidade objetiva? A solução seria não desejar. A saída budista, que vê no "apego" a raiz do sofrimento.

O que pega aí é que, penso eu, sem DESEJO, o mundo não avança.

Já falamos: o problema material deve encontrar uma solução material. Mas é o impulso, vale dizer, a vontade de homens conscientes que criará a solução. O "não-querer" é a inação. O universo não é estático- avança, avança, quando pára de andar é porque morreu, como diz Engels no "Anti-Dühring".

20 de ago de 2009

Começando do começo

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Se alguém me perguntar como conhecer o marxismo, no tipo básico do básico, eu sugeriria o Manifesto Comunista, antes de tudo. Depois, uns livrinhos bem palatáveis, como, por exemplo, dois de Leandro Konder que me vêm à cabeça: "O que é dialética" e "Marx- vida e obra", cuja capa é a imagem deste post. Nada complicado, nada que entedie. Mais que ao acadêmico, é preciso falar com o militante, com o interessado nesse engajamento.

Insisto, é preciso começar pelo início, por Marx. Não cometam o equívoco de se doutrinarem com os pós-modernos, os reformistas, os revisionistas das mil e uma teses de adaptação. Isso de início destruiria o militante. Primeiro ir à fonte e, conforme se avance, conforme se tenha interesse, aí sim enveredar pelas heterodoxias. Vai que o sujeito é mesmo um heterodoxo e se sinta melhor assim- o que é um direito inalienável.

16 de ago de 2009

Cartas, emails - e Lukács

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Também as cartas de Maiakovsky a Lília Brik emocionam; na verdade, quaisquer cartas emocionam, pois não é possível adentrar a intimidade alheia sem que se identifique com o remetente. Partilhamos assim das mesmas dores, sensações, angústias em um exercício, é preciso dizer, de pura indiscrição. Mas uma indiscrição comovente, doce, e ei-nos íntimos do devassado.

Hoje em dia é email. Será que os emails trocados -tantos anseios- são guardados, conservados, para publicação post mortem? Arquivos e mais arquivos desnudados aos olhos do público, a quem interessar possa. O triste é que email não tenha um pingo da densidade dramática de uma carta do passado. À base do "pq vc naum" assassinamos a língua e, de forma telegráfica, levamos adiante os sentimentos estropiados. Saramago, que tem um blog, ao falar do twitter (que permite mensagens de até 140 toques), lembrou que o ser humano caminha para o monossílabo, e que, de "degrau em degrau, caminhamos para o grunhido".

10 de ago de 2009

Kafka e Battisti

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Celso Lungaretti, aqui, lembra o caso Battisti e aponta o arbítrio de uma Corte (?) que insiste em manter, como prisioneiro, um refugiado político. Eu já havia feito, logo após a concessão do status de refugiado (uma impropriedade, pois o termo seria "asilado", por se tratar de perseguição individual e não coletiva) político pelo Ministério da Justiça, um rápido estudo sobre o tema, no qual fica claro -e vi pela reação de várias pessoas que o leram- que o asilo (ou refúgio) foi corretamente concedido, sendo um ato soberano do país asilante. Para citarmos opiniões mais abalizadas, temos José Afonso da Silva, em parecer solicitado pela OAB federal, e a moção do Instituto dos Advogados Brasileiros, em sessão do dia 04/ 03/ 09, apoiando a decisão do governo brasileiro. Opiniões mais valiosas no tema tratado, portanto, que as de Paulo Henrique Amorim, que considera Battisti um "meliante comum", como se vê aqui.

7 de ago de 2009

Base e superestrutura. E Chopin.

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Quero dizer: o Espírito fortalecido (através das Artes, da Religião, da Filosofia) suporta melhor as atribulações materiais, mas sem ser capaz de superá-las. O espírito não vence a matéria. Afinal, um problema material deve encontrar uma solução material, ou, como diz Marx ("Introdução à Crítica...") o poder material deve ser deposto pelo poder material. A superestrutura (Artes, Religão etc. etc.) apenas alimenta- serve como analgésico, um paliativo, enfim.

Não é muito- mas como a vida seria insuportável sem esse pequeno remédio! É justamente a superestrutura que permite à vida ser suportável. Sem o "torpor" da superestrutura, como seria árduo.

Não quero dizer com isso que devamos nos alienar. Alienação (alheamento) é a não-identificação com o mundo. Nós, ao contrário, conhecemos o mundo, sabemos onde pisamos, ou, ao menos, combatemos (tentamos combater) essa tendência. Apenas reconhecemos na superestrutura esse caráter suavizante. E felizmente ela o tem.

3 de ago de 2009

Sobre talentos cerceados

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O dilema de Van Gogh, o de querer mas não poder, ou ao menos de ter dificuldades inenarráveis em conseguir o que se quer, está basicamente na postagem Capitalismo e a morte de Mozart. Portanto, onde se lê morte de Mozart, leia-se também morte de Van Gogh.

O mundo é muito feio. Ser bonito, aqui, é raro, é exceção- "esse mundo não faz sentido para alguém belo como você", diz a música de Don McLean para o mesmo Vincent (também já tratei disso aqui), de modo que o suicídio não se faz assim tão absurdo.

O dilema posto diante de Vincent é: ser ou não? Quando você ouve em seu íntimo que você não é pintor, é AÍ SIM que deve começar a pintar com mais afinco- escreve a seu irmão Théo. Há que ser artista, independente de tudo, tudo mesmo, ao redor ou no interior. Há que ser artista. Mas não é só o dilema pessoal, são as próprias condições do mundo que o cerca. Mas disso já tratei, me reporto à morte de Mozart (ou de Van Gogh) acima.

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