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3 de set. de 2010

Elogio da revolução

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Perguntam-me se o ser humano é um eterno insatisfeito. A resposta é sim, e o "querer" é justamente inerente à vida, conforme já falamos em outras postagens. Mas, se se pergunta se essa insatisfação será entrave para a sociedade comunista, eu digo não, naturalmente. Se justamente a insatisfação é o que nos faz chegar até ela, enojados que estamos com o velho sistema, com a velha exploração do homem sobre o homem. A classe trabalhadora -hoje, lato sensu: não mais apenas o trabalhador de fábrica, mas todos aqueles que têm sobre si o peso do Capital, todos aqueles, independentemente de origem classista, que odeiam a forma de produção capitalista- se une, um anseio em comum, e promove a revolução social. Também aqui é a vontade que gira a roda.

Mas e se não der certo? Se a revolução soçobrar? A primeira coisa que deve ser dita é que, na história da humanidade, os conceitos de "êxito" e "fracasso" são relativos. Um pobre carpinteiro palestino foi subjugado a pauladas e crucificado, não obstante sua doutrina hoje tem alcance planetário. A Comuna de Paris, reprimida em sangue, mas sempre um modelo de "assalto ao céu". No mito, Tróia saqueada e queimada, mas é dela que veio o povo romano que conquistou o mundo. E os exemplos se sucedem, na vida real e na imaginação mitológica, de fracassos que redundam em vitória, de insucessos que, no fundo, foram muito mais exitosos que conquistas evidentes. Isso é a dialética. No erro há o acerto, e também o acerto traz sua carga de erro. É questão de enfoque, de ponto de vista.

19 de mar. de 2010

O mais humano dos homens

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O ser humano historicamente teve necessidade de guias. Digo teve, porque acredito que chegará um momento em que, com a emancipação humana, essa fase se torne passado. Mas teve, tem tido, necessidade, de modo que basta alguém melhor dotado (de carisma, de inteligência, de dinheiro), e ei-nos fervorosos seguidores, rebanho fiel repetindo "amém". Pior ainda quando os "ídolos" são os fúteis, os do esporte, da música, da novela- fúteis não por causa do esporte ou da arte em si, que têm seu papel no desenvolvimento humano, mas sim pelo caráter que tais manifestações adotam num sistema alienante como o capitalista.

São ridículas as cenas de adolescentes se descabelando pelo galãzinho, mas não deixam de ser um rito de passagem. Complicado é quando homens adultos, supostamente guiados por um método científico como é o marxismo, cedem à essa tentação. Não é raro encontrarmos "marxistas" (com aspas, naturalmente) dóceis aos "guias". Mas esses são os stalinistas, os fãs do "Guia Genial dos Povos", do "Grande Timoneiro"- o "Marechalíssimo" (sic) Josef Stálin.

8 de dez. de 2009

Trotsky Futebol Clube

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Nos fóruns de debate da vida, a distensão Trotsky x Stálin é sempre tratada de forma antimarxista, isto é, subjetivamente. Trotsky, coitado, é odiado- perguntem o porquê, não sabem responder. Ou utilizam chavões, rótulos e deturpações, muito ao gosto do "Guia Genial dos Povos". Segue abaixo uma desinteressada defesa da História, logo, de Trotsky. A parte inicial, sobre "avatares de Stálin", remete a um debate no Orkut, nada que interfira na compreensão do post.

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Usando uma metáfora futebolística.

Suponhamos que alguém ingressasse, nesta comunidade, com um avatar do FLUMINENSE, e abrisse um tópico sobre a, digamos, canalhice do FLAMENGO. Isto é, o autor do tópico lera um tópico de um autor TRICOLOR, que ataca o FLAMENGO, e vem aqui postar como se fosse a verdade absoluta. Ou, de outra mão, um autor FLAMENGUISTA, ao ler um livro contra o FLUMINENSE, vem atacá-lo aqui na comunidade.

14 de jul. de 2009

Reforma eleitoral e leninismo

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Aprovado na Câmara o PL 5498/ 2009, que traz uma série de reformas na legislação eleitoral. Basicamente torna o processo eleitoral mais "macio", no que diz respeito ao uso "amplamente autorizado" (como diz a justificação do projeto) da internet nas campanhas eleitorais (o que seria inevitável cedo ou tarde), por exemplo, e à facilitação nos casos de punições a partidos e candidatos. Facilitou-se tanto que foi mesmo dito (como se vê neste link) que a categoria dos políticos "legislou em causa própria". Pode ser verdade- conhecemos as variadas gamas de interesses que regem as votações de projetos nas casas legislativas. Mas, independente disso, há que se apoiar as mudanças.