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25 de jan. de 2010

Sobre terremotos e racismo

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Começo o ano com uma postagem pouco confortável: o tema é o Haiti. O desconforto não é pelo país nem pelo seu povo- ao contrário, são heróicos. O primeiro país do mundo onde os escravos eliminaram a escravidão- os próprios escravos, sem concessões e esmolas dos senhores. Um povo que, corajosamente, arrancou a liberdade das mãos do explorador. Um povo solidário: ao lá desembarcar, em suas jornadas pela libertação da América espanhola, Bolívar precisou se comprometer com o fim da escravidão nos países que viessem a ser libertados, como condição para receber o suporte do povo haitiano. Portanto, quando falo em desconforto quando falamos do Haiti, não me refiro ao seu povo.

Também não me refiro ao terremoto. É um fenômeno da natureza- e a natureza tem suas idiossincrasias. Fenômenos naturais existem desde sempre, e a única coisa que nos cabe é tentar minorar seus efeitos.

2 de abr. de 2009

"Um olhar sobre a América Espanhola"

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É o título de um artigo de Simón Bolívar, escrito no primeiro semestre de 1829. Tantas lutas, tantas abnegações e dores- e o cenário é desolador. A situação na Argentina é atroz; falando sobre seu sistema pós-independência, diz: "Turvam-se as eleições com tumultos e intrigas (...) Tudo é decidido pela força, o partido ou o suborno; com quais objetivos? Para mandar por um instante, entre os alarmes, os combates e os sacrifícios (...) Eram raras as eleições em que não interviessem desordens espantosas". E a Argentina não era a única com tais mazelas, como o próprio Libertador ressalta. "Em lugar nenhum as eleições são legais, em nenhum o mando é sucedido pelos eleitos segundo a lei". Enquanto na Argentina a anarquia se perpetua, o Chile e a Guatemala escandalizam; a "infeliz Bolívia" tem quatro chefes diferentes em menos de duas semanas, e "os horrores mais criminosos inundam aquele belo país", o México. Enfim: "Esta é, americanos, nossa deplorável situação".