20 de ago de 2009

Começando do começo

Se alguém me perguntar como conhecer o marxismo, no tipo básico do básico, eu sugeriria o Manifesto Comunista, antes de tudo. Depois, uns livrinhos bem palatáveis, como, por exemplo, dois de Leandro Konder que me vêm à cabeça: "O que é dialética" e "Marx- vida e obra", cuja capa é a imagem deste post. Nada complicado, nada que entedie. Mais que ao acadêmico, é preciso falar com o militante, com o interessado nesse engajamento.

Insisto, é preciso começar pelo início, por Marx. Não cometam o equívoco de se doutrinarem com os pós-modernos, os reformistas, os revisionistas das mil e uma teses de adaptação. Isso de início destruiria o militante. Primeiro ir à fonte e, conforme se avance, conforme se tenha interesse, aí sim enveredar pelas heterodoxias. Vai que o sujeito é mesmo um heterodoxo e se sinta melhor assim- o que é um direito inalienável.


***

Abaixo, "Os comunistas", de Pablo Neruda. Como é grande, só um trecho, tem mais aqui.

"Passaram-se alguns anos desde que ingressei no Partido
Estou contente
Os comunistas formam uma boa família
Têm a pele curtida e o coração moderado
Por toda parte recebem golpes
Golpes exclusivos para eles

Vivam os espíritas, os monarquistas, os anormais, os criminosos de todas as espécies

Viva a filosofia com muita fumaça e pouco fogo

Viva o cão que ladra mais não morde, vivam os astrólogos libidinosos, viva a pornografia, viva o
cinismo, viva o camarão, viva todo mundo, menos os comunistas
Vivam os cintos de castidade, vivam os conservadores que não lavam o pé há quinhentos anos

Vivam os piolhos das populações de miseráveis, viva a fossa comum e gratuita, viva o anarcocapitalismo,
viva Rilke, viva André Gide com seu corydonzinho, viva qualquer misticismo
Está tudo bem

Todos são heróicos

Todos os jornais devem sair

Todos devem ser publicados, menos os comunistas
(...)"

3 comentários:

  1. Passeando pelo seu blog percebi que vou gostar muito de visitá-lo, em seus marcadores vi a presença de grandes mestres, voltarei para conhecer melhor seu espaço... Quanto a Neruda, não me aprofundei na questão bibliográfica deste poeta, mas toda essa questão política me fez recordar do filme: “O carteiro e o poeta”, retrata um pouco da vida política de Pablo Neruda, mas não sei até que ponto reproduziu sua convicção real, talvez o foco não fosse exatamente o que está em questão... Abraços. Marli.

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  2. Oi, passei pra conhecer seu blog, e desejar boa tarde.
    bjs

    aguardo sua visita :)

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