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3 de ago. de 2009

Sobre talentos cerceados

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O dilema de Van Gogh, o de querer mas não poder, ou ao menos de ter dificuldades inenarráveis em conseguir o que se quer, está basicamente na postagem Capitalismo e a morte de Mozart. Portanto, onde se lê morte de Mozart, leia-se também morte de Van Gogh.

O mundo é muito feio. Ser bonito, aqui, é raro, é exceção- "esse mundo não faz sentido para alguém belo como você", diz a música de Don McLean para o mesmo Vincent (também já tratei disso aqui), de modo que o suicídio não se faz assim tão absurdo.

O dilema posto diante de Vincent é: ser ou não? Quando você ouve em seu íntimo que você não é pintor, é AÍ SIM que deve começar a pintar com mais afinco- escreve a seu irmão Théo. Há que ser artista, independente de tudo, tudo mesmo, ao redor ou no interior. Há que ser artista. Mas não é só o dilema pessoal, são as próprias condições do mundo que o cerca. Mas disso já tratei, me reporto à morte de Mozart (ou de Van Gogh) acima.

22 de mai. de 2009

Religião, doença infantil da religiosidade

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Roger Garaudy fala do integrismo, como sendo a pretensão de possuir a verdade absoluta. Para Garaudy, o islamismo é a versão integrista do islã, assim como, na política, o esquerdismo (o famoso "complexo de vestal") é a doença infantil do comunismo, na expressão de Lênin. Pois bem, digo com todas as letras: a religião é a doença infantil da religiosidade.

A religião aprisiona o espírito em um conjunto cerrado de conceitos, de dogmas, de fundamentos (fundamentalismo?). Religião é a ortodoxia, é a visão única, é o maniqueísmo ("ou está conosco ou não está"), o reducionismo- enfim, tudo o que a religiosidade
não é.

Não é um fenômeno atinente a uma crença específica. Os muçulmanos, coitados, tão associados ao fundamentalismo, no passado foram um exemplo de tolerância; mas é claro que o mundo muçulmano é repleto de integrismo. Assim como entre os cristãos (não é preciso retroceder à inquisição católica do passado, basta que lembremos, bem recentemente mesmo, o caso do centro umbandista depredado por membros de uma igreja evangélica no Catete, Rio de Janeiro) e entre budistas, e hindus, etc. etc.
ad nauseam. É sintomático, para utilizarmos como exemplo um fenômeno atual, o Orkut, que umas das maiores demonstrações de intolerância eu tenha presenciado em comunidades de teor religioso. Baixarias, guerra de egos, donos da verdade, irreverência pouco sadia, todo um cabedal de comportamentos nada, hum, religiosos.