Até Jacarepaguá é um bom pedaço, mas não estou sozinho. Levo comigo Trotsky em biografia: queria poesia, queria literatura, mas Trotsky é ele também poesia. E como não? Engajar-se na Rússia czarista é poesia, fazer a revolução é, ser o presidente do Soviete de Petrogado é, presidente do Comitê Militar Revolucionário, Comissário do Povo para a Guerra é...Fundador do Exército Vermelho. Depois a perseguição, a calúnia e o exílio, mantendo sempre a fina dialética viva, até a morte, à traição -como é de praxe- pelo agente stalinista. Quem não enxergar poesia nisso tudo não entende de poesia, é um aleijado, humanamente falando.
Uma coisa que acontece é que muitos não querem saber de poesia- real ou figurada. Poesia é meio que um desvio na mente dessas pessoas, eles que abraçaram o obscurantismo. Eles que têm a dialética de uma porta. Você que tem um animal de estimação, faça o teste: mais fácil o bicho entendê-los do que esses de quem falo. Os stalinistas são desse gênero de porta. Torno a esse assunto sem receio de me tornar monotemático. Porque é um assunto ainda palpável, ainda vivo e, como tal, preocupante. Preocupante para todos nós que reivindicamos o marxismo e o leninismo e, como tal, não podem abrir mão da dialética. E o stalinismo é o inimigo número um da dialética.
