Mostrando postagens com marcador América Latina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador América Latina. Mostrar todas as postagens

25 de jan. de 2010

Sobre terremotos e racismo

2 comentários
Começo o ano com uma postagem pouco confortável: o tema é o Haiti. O desconforto não é pelo país nem pelo seu povo- ao contrário, são heróicos. O primeiro país do mundo onde os escravos eliminaram a escravidão- os próprios escravos, sem concessões e esmolas dos senhores. Um povo que, corajosamente, arrancou a liberdade das mãos do explorador. Um povo solidário: ao lá desembarcar, em suas jornadas pela libertação da América espanhola, Bolívar precisou se comprometer com o fim da escravidão nos países que viessem a ser libertados, como condição para receber o suporte do povo haitiano. Portanto, quando falo em desconforto quando falamos do Haiti, não me refiro ao seu povo.

Também não me refiro ao terremoto. É um fenômeno da natureza- e a natureza tem suas idiossincrasias. Fenômenos naturais existem desde sempre, e a única coisa que nos cabe é tentar minorar seus efeitos.

3 de nov. de 2009

Da ditadura da grande mídia

8 comentários
Há sempre uma voz lúcida a lembrar que "liberdade de imprensa" não se confunde com "liberdade dos donos da imprensa". Quando fiz uma abordagem jurídica sobre a queda do diploma de jornalista, citei a fala do constitucionalista José Afonso da Silva: "a liberdade de informação não é simplesmente a liberdade do dono da empresa jornalística ou do jornalista", pois, ao lado do direito de informação, há o dever social das empresas de passar essa informação de forma imparcial e qualitativa.

Não sou ingênuo a ponto de acreditar em imprensa neutra. Não existe neutralidade, o que é perfeitamente humano, principalmente em uma sociedade de classes. Sendo os interesses econômicos o motor da História, como ensinou Marx, a imprensa não fica imune a essa condicionante. Mas, não sendo possível a neutralidade absoluta, que ao menos a parcialidade não fosse tão evidente.

Isto é: se não se pode ser imparcial, ao menos finja sê-lo.

4 de jul. de 2009

Golpe de Estado em Honduras

0 comentários
Caio Blinder, aqui, aponta o que seria, na cabeça dele, uma hipocrisia: por que a comunidade internacional, que repudia o golpe de Estado sofrido por Manoel Zelaya (na foto) em Honduras, paralelamente fecha os olhos à "ditadura" cubana? No mesmo texto, equipara Fidel a Muamar Kadafi, numa análise rasa como um pires.

Esse simplismo, comumente encontrado na mídia, tem duas origens: ou é fruto de má-fé ou de ignorância. Em um caso e outro, igualmente deletério. A ignorância é perdoável, a má-fé não; principalmente quando sabemos que a direita é inescrupulosa quando se trata de empurrar seus conceitos goela abaixo.

Em Cuba, deu-se uma revolução popular que derrubou uma ditadura financiada pelos ianques. Em Honduras, deu-se um golpe de Estado que derrubou um presidente eleito constitucionalmente.

2 de abr. de 2009

"Um olhar sobre a América Espanhola"

0 comentários
É o título de um artigo de Simón Bolívar, escrito no primeiro semestre de 1829. Tantas lutas, tantas abnegações e dores- e o cenário é desolador. A situação na Argentina é atroz; falando sobre seu sistema pós-independência, diz: "Turvam-se as eleições com tumultos e intrigas (...) Tudo é decidido pela força, o partido ou o suborno; com quais objetivos? Para mandar por um instante, entre os alarmes, os combates e os sacrifícios (...) Eram raras as eleições em que não interviessem desordens espantosas". E a Argentina não era a única com tais mazelas, como o próprio Libertador ressalta. "Em lugar nenhum as eleições são legais, em nenhum o mando é sucedido pelos eleitos segundo a lei". Enquanto na Argentina a anarquia se perpetua, o Chile e a Guatemala escandalizam; a "infeliz Bolívia" tem quatro chefes diferentes em menos de duas semanas, e "os horrores mais criminosos inundam aquele belo país", o México. Enfim: "Esta é, americanos, nossa deplorável situação".

11 de set. de 2008

Índios e revoluções

0 comentários
Alguns meses atrás, em entrevista à Carta Capital, Evo Morales, ao falar de seus adversários políticos, dizia que "eles não toleram que um índio faça a revolução social". Eles, isto é, a direita boliviana americanizada. Hoje, quando já morreram oito pessoas em confrontos e o embaixador ianque foi devidamente expulso, quando a Bolívia está prestes a entrar em guerra civil, nós vemos até onde eles chegaram para impedir a revolução social.

Os ingênuos, ou cínicos, não percebem (ou fingem não perceber, no caso desses últimos) que há no mundo, em geral, e no continente, em especial, algo como uma força maléfica, sobrenatural, que irá se erguer a qualquer sinal de mudança. A força maléfica não admite progresso; não admite emancipação; não admite que se erga sobre os pés e que se caminhe livremente. Fará tudo, ao contrário, para manter o status quo, a dominação, o preconceito, a alienação.

4 de out. de 2007

Che Guevara, ou o Homem Novo

0 comentários
É impressionante o quanto os ideais cristãos e comunistas andam juntos. O cristianismo, sabemos, preconiza um homem despido de apegos materiais, abnegado, prestativo, e todas aquelas virtudes que encontramos no belo Sermão da Montanha. O comunismo, por sua vez, pressupõe exatamente um homem desapegado, abnegado e prestativo. E com uma vantagem sobre o cristianismo: o homem comunista toma as rédeas de sua vida aqui e agora, ao invés de protelar a libertação para um futuro incerto.

Com efeito, o que dizer de um sistema de produção baseado na cooperação e na associação, onde a cada um deve ser dado de acordo com sua necessidade e pedido de acordo com sua capacidade? Para os cínicos, é utopia. Para os pessimistas, o ser humano nunca chegará a esse ponto. Para aqueles satisfeitos com atual sistema -uma minoria- é um "absurdo".

28 de ago. de 2006

Castro e a Revolução

0 comentários
Muito se falou sobre Fidel Castro e Cuba nos últimos dias, em razão da doença do velho revolucionário. Neste exato momento pouca notícia temos sobre sua saúde, salvo que tem se recuperado, sendo o governo por ora exercido em nome de Raúl Castro, igualmente experimentado na época da Sierra Maestra. Muito tem sido especulado, portanto. Fala-se em "transição pacífica para a democracia", por exemplo. Os exilados cubanos em Miami soltam fogos. Bush torce as mãos de contentamento, os neoconservadores ianques provavelmente deliram com uma invasão vitoriosa como a que houve para "libertar" o Iraque. Bem, vejamos, esse festival de reacionarismo merece uma respostinha.