Daquele bar, aliás, me lembro a monotonia. Desfavoravelmente situado, quase à entrada do túnel da Barata Ribeiro, tinha poucos frequentadores: passávamos o tempo olhando a rua vazia, enquanto as garrafas eram esvaziadas. "O resto é silêncio", diria Hamlet de Shakespeare, salvo dias de jogo, quando enchia, como aquele em que o Fluminense derrotou o São Caetano (não me lembro qual campeonato, mas acho que teve gol de Magno Alves) e tomei um porre de fogo paulista.
*
Outro bar, outras pessoas. Este outro sujeito nos foi apresentado por um conhecido em comum: também torcedor do Fluminense, morava em Nova Iguaçu. Excelente conversador e de boas maneiras, mas tinha um passado sombrio, que eu descobri depois. Logo no primeiro encontro, após horas de conversa e bebida em um show na orla de Botafogo, me disse que eu, doravante, seria um de seus melhores amigos. Terno como todo bêbado, agradeci e disse que era recíproco.


