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6 de mai. de 2010

Duas notas de Bukowski

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Das "Notas de um velho safado" (Notes of a Dirty Old Man), gosto em particular de duas, logo no início. Ambas por curiosidade envolvem Jack Kerouac, autor de "On the road", associado à geração beatnik. A primeira tem como personagem Neal Cassady- justamente personagem de "On the road", como o nome "Dean Moriarty". A outra narra um encontro com Kerouac em pessoa.

Uma digressão: o triste em Kerouac é o modo como terminou. Nas palavras de Eduardo Bueno: "Jack Kerouac morreu em outubro de 1969, depois de anos sentado no sofá vendo programas de auditório na TV da casa de sua mãe (com quem morou a vida inteira), barrigudo, alcoólatra e reacionário, afastado de seus companheiros da geração beat, odiando cada cabeludo americano e se perguntando o que, afinal, havia de errado com On the road". Um final triste, como se vê, quase trágico.

O que gosto, no tipo de literatura de Bukowski, é o estilo cru e direto, underground. Não se romanceia muito: é a vida, mais precisamente a vida real, que a literatura "poliana" não mostra. É o caso de Henry Miller: às vezes pervertido, outras imoral. Escatológico também, mas, e essa é a mágica, extremamente lírico. Pura poesia no submundo, em meio a garrafas vazias, ressacas, sexo sujo, imundícies (principalmente no "Trópico de Câncer").

16 de set. de 2009

Um conselho (e talento se constrói?)

2 comentários
-Que conselho dá aos jovens escritores?
-Bebam, fodam e fumem muitos cigarros.

-E para os velhos escritores?
-Se o cara continua vivo, não precisa de meus conselhos.

(Charles Bukoswki, foto, "Numa fria")

*

Tanto Henry Miller quanto Van Gogh batem na tecla: quem quer ser artista (escritor, no caso de um, pintor, no de outro) deve sê-lo, sem mais. E mostraram isso na prática. Miller por exemplo diz que havia um tempo em que ele pensava ser artista; agora, já não pensa, é, e isso em um momento de profundo desespero e fracasso profissional (o fundo do poço retratado no "Trópico de Câncer"). Mas ele é artista, isso que importa, mesmo que o mundo diga contra. Também Van Gogh nos mostra, em suas "Cartas", sua luta para melhorar, sua insistência. O resultado já sabemos.