13 de jan. de 2011

Epílogo

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ELOGIO DA DIALÉTICA

15/ 06/ 2006 - 13/ 01/ 2011



Até logo, até logo, companheiro,
Guardo-te no meu peito e te asseguro:
O nosso afastamento passageiro
É sinal de um encontro no futuro.

(Sergei Iessiênin, trad. Augusto de Campos)

4 de jan. de 2011

Duas histórias de bar

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Havia muitos anos eu não o encontrava. Trabalhava na banca de jornais aos pés do edifício onde morei em Copacabana, e sempre o via subindo de bicicleta a ladeira onde ficava o prédio. Após tantos anos, lá estava ele- grata surpresa. Fiz questão de ir cumprimentá-lo: lembrava de mim, na verdade não era muito mais velho que eu. Palavras amistosas, alguns comentários sobre aquela época. Daí falamos (não sei porquê) em objetivos, perguntei qual era o dele. Respondeu-me com simplicidade, quase dando de ombros: "ficar vivo". Aquilo me tocou e, como mais não podia, deixei uma cerveja paga para ele.

Daquele bar, aliás, me lembro a monotonia. Desfavoravelmente situado, quase à entrada do túnel da Barata Ribeiro, tinha poucos frequentadores: passávamos o tempo olhando a rua vazia, enquanto as garrafas eram esvaziadas. "O resto é silêncio", diria Hamlet de Shakespeare, salvo dias de jogo, quando enchia, como aquele em que o Fluminense derrotou o São Caetano (não me lembro qual campeonato, mas acho que teve gol de Magno Alves) e tomei um porre de fogo paulista.

*

Outro bar, outras pessoas. Este outro sujeito nos foi apresentado por um conhecido em comum: também torcedor do Fluminense, morava em Nova Iguaçu. Excelente conversador e de boas maneiras, mas tinha um passado sombrio, que eu descobri depois. Logo no primeiro encontro, após horas de conversa e bebida em um show na orla de Botafogo, me disse que eu, doravante, seria um de seus melhores amigos. Terno como todo bêbado, agradeci e disse que era recíproco.

15 de dez. de 2010

Do velho esporte bretão

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Há coisas que exorbitam sua esfera de origem. O exemplo clássico para mim é o futebol. A princípio um jogo, um passatempo, o futebol acaba por envolver uma gama enorme de conceitos sociais. Aprende-se por exemplo disciplina, autocontrole, capacidade de resistir à frustração, fairplay, espírito de grupo etc. etc. O futebol -e qualquer esporte- não é portanto apenas jogo, apenas lazer, e sim uma poderosa ferramenta de formação de caráter. Formação ou deformação, claro: se o que é passado à garotada for a visão distorcida do esporte, do ganhar a qualquer custo, do egoísmo e do vilipêndio ao adversário. Mas vejamos as coisas apenas por sua ótica positiva. Por exemplo, o superego não está no futebol? Claro que está, na figura do juiz, "o homem do apito", reprimindo o que não pode, castigando os excessos. Deixo para os sociólogos e psicólogos, mas será que não poucos garotos, largados, abandonados à própria sorte, não aprenderam a respeitar a figura da "autoridade" (momentaneamente que seja) através de um árbitro de futebol? Assim como no futebol, os excessos na vida são castigados.

E as novelas da Globo? Sou um crítico contumaz: considero o universo da frivolidade e da banalidade. Mas ocorre o seguinte: é entretenimento de massa. As pessoas gostam daquilo. Por que não aceitar que muita gente se instruiu e aprendeu via novelas da Globo? As campanhas da Glória Perez, por exemplo, geralmente trazem temas modernos, em voga- drogas, deficiências mentais, barrigas de aluguel, clonagem humana. Por que não aproveitar esse potencial, e utilizar essa ferramenta? Todos têm televisão em casa. O alcance de um instrumento de massas desse é formidável. Por isso que já não sou a favor do fim das telenovelas. Sou a favor é da sua maior qualidade e de sua função social.