18 de mar. de 2009

Starry Starry Night

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Acordo com Don McLean cantando "Vincent"- não há maneira mais doce, e mais melancólica, de despertar. "Agora entendo o que você tentou me dizer", diz a letra, "como sofreu por sua sanidade". Como tentou libertá-los e como eles não ouviram, e talvez nunca ouvirão. Eles, quem? Os homens. O instrumento de libertação? A arte, e nenhum outro.

Vincent é Vincent Van Gogh. Sobre quem Henry Miller escreveu, no Plexus: "O que me encantava era o desejo ardente de Vincent de viver a vida de um artista, nada mais ser do que um artista, acontecesse o que acontecesse. Com homens dessa têmpera, a arte se torna religião". Miller continua, lembrando as críticas que o pintor sofrera de seus contemporâneos, "Pobre Van Gogh! Rico Van Gogh! Todo-poderoso Van Gogh!", o artista que, enfim, os venceu a todos. Mas só depois: em vida vendeu um único quadro.

14 de mar. de 2009

Advento do Fórum Tribuna Comunista

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Talvez por ser de uma geração anterior ao Orkut, sempre considerei fóruns em formato phpBB como mais ricos e mais estimulantes para qualquer tipo de debate. O Orkut, em que pesem as melhorias no sistema de comunidades, ainda está a anos-luz atrás, faltando recursos básicos como a edição de mensagens ou, para o administrador da comunidade, a possibilidade da repartição do fórum em seções específicas.

Inobstante tais desvantagens, o Orkut praticamente domina a rede, monopolizando os interessados em debates virtuais. Muitos fóruns em phpBB vieram a naufragar com o crescimento do Orkut; outros tentaram nascer nesse ínterim, mas ou não obtiveram participantes, ou os obtiveram em número pífio, não justificando sua manutenção.

27 de fev. de 2009

Capitalismo e a morte de Mozart

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O espírito humano é indomável- mas está subordinado às condições materiais em voga. Não se trata de diminuir o ser humano, como poderia equivocadamente parecer, mas de compreender que, imersos num mundo material como estamos, não podemos fugir à própria natureza. Para ter condições de filosofar, afinal, é preciso antes de tudo ter condições de vida, ou, simplificando, antes de filosofar é preciso comer. Daí Marx e Engels, no "Ideologia alemã", explicarem: "A vida não é determinada pela consciência, mas esta pela vida", ou, antes: "A produção de idéias, de concepções, de consciência, é a princípio diretamente entrelaçada com a atividade material".


Saint- Exupéry, no "Terra dos homens", narra uma passagem emblemática: em uma viagem de trem, pela Europa, ele observa famílias de imigrantes poloneses. Um casal chama sua atenção: dormem, tendo entre eles uma criança, tão bela que Exupéry enxerga nela "Mozart menino". O menino parece um artista- encontrando condições adequadas, poderia desabrochar suas potencialidades, tal como um novo Mozart. Exupéry faz uma analogia: quando no jardim nasce um flor especial, ela é isolada pelos jardineiros, cuidada com carinho, enfim, recebe condições para que possa se desenvolver. Mas o próprio autor reconhece que "não há jardineiros de homens", para concluir, melancolicamente, que o "Mozart menino" estava condenado. Seguindo o destino de seus pais, encerraria seus dias como os demais operários, jogados à miséria e à ignorância.