15 de out. de 2010

Maiakovsky e os trolls

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Há um tipo de artista -os polêmicos, os instigantes, os desafiadores- que atrai, como um ímã, as mais diversas espécies de pessoas, pro bem e pro mal. E justamente por serem polêmicos, instigantes, desafiadores. É natural: os chatos e os medíocres (i.e., medianos) não costumam ter muita audiência, quando muito tão chata quanto eles. O polêmico tem ibope mais alto, o que não quer dizer necessariamente que tenha mais qualidade. Muitas vezes a (falsa) polêmica é exatamente a arma do medíocre para aparecer, para ganhar a mídia e o mercado. Quem é bom -na área que for- não precisa disso. Aparece naturalmente, a polêmica que desperta, as reações -contra e a favor- vêm naturalmente. Pendurar melancia no pescoço é para os fracos.

Quando desperta a atenção (com qualidade, portanto), o indivíduo traz junto...a inveja. Vem no pacote. O medíocre, o que precisa da melancia no pescoço, vai justamente invejar quem não necessita de nada disso: e dá-lhe perseguição, críticas destrutivas, ou, como se fala aqui na web, trollagem. Isto é, a saudável prática de aporrinhar sistematicamente alguém.

8 de out. de 2010

Umbanda

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Estamos no quarto. É penumbra, o que acrescenta carga dramática à cena. Conto a ela o encontro com a Entidade, e naturalmente estou emocionado. Não sei dizer até que ponto acredito; não sei dizer o tanto que, de toda cantiga e de toda vela, de todo atabaque e de toda defumação, era real ou não. Não sei dizer se aquilo que se desenrolou diante dos meus olhos era fato ou mistificado. Não é difícil ser enganado: mas como quer que seja a Entidade estava lá, na minha frente, e me olhava fixo.

O cambono -o nome dado aos ajudantes do terreiro- chamou meu número, e me dirigi ao congá. O primeiro contato com a espiritualidade, o primeiro contato com o lado de lá. Direto, cara a cara, ao contrário do Kardecismo. E o Kardecismo não era nada perto daquilo. Kardec, com os eruditos textos doutrinários e palestrantes suaves de fala difícil, pouco tinha a ver com os gemidos, os urros, os cânticos. As velas e as estátuas me tocavam muito mais o coração. Quem vem de Kardec pouco está preparado para isso, para o caldeirão místico que irradia, qual lâmpada, do congá. Aqui os médiuns giravam, literalmente giravam. E aquela senhora, tão frágil e alquebrada, com Ogum (Megê? Rompe-mato? Iara?) dentro dela era como alguém possuído. Podia derrubar qualquer homem naquela sala, tamanha força emanava, principalmente brandindo a espada-de-são-jorge que, ao contato com os "obsediados", murchava- impressionante. Vi isso.

1 de out. de 2010

Falando de blogs

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Tenho mantido a média de uma postagem por semana, sempre que der vontade às sextas, nos últimos tempos. Além de permitir uma escrita mais "relaxada" (a pressa é inimiga da perfeição), gosto de pensar no leitor do blog, à vontade em casa, aproveitando o fim de semana para boas leituras. Do blog, inclusive. A sexta-feira para mim, aliás, me remete a relaxamento, a sensação de dever cumprido: passou a semana com seus desafios, agora é relaxar e restaurar baterias. E nada melhor para isso que ler alguma coisa interessante (na medida em que este blog seja interessante).

O tipo de assunto tratado no Elogio da Dialética favorece essa periodicidade maior. Falamos aqui em política e cultura em geral (como coloquei no singelo banner que criei, e disponibilizei na sidebar), de forma "atemporal", sem compromissos com "bombas midiáticas". Não é um blog descartável. Trotsky e Henry Miller, Marx e Bob Marley, são atuais desde sempre, o que não quer dizer que não falemos de atualidades (há a tag "atualidades", bem grandinha já, aliás, de tantos posts relacionados) mas até essas atualidades têm sua cor "permanente", trazem um pano de fundo "permanente".