Tenho o fetiche da "primeira vez": acho que aquilo que inaugura tende a marcar pra sempre. Vale pra tudo, primeiro beijo, primeira mulher, livros, contatos sociais ("a primeira impressão é a que fica!") e, obviamente, discos. Milhares de experiências se passarão, sempre haverá, forte na memória, a primeira. Sou com orgulho um saudosista.Aí do lado está a capa de "O papa é pop", de 1991, meu primeiro contato com a música. Antes eu já ouvia, claro. Lembro com saudades (olha o saudosismo aí) das canções dos anos 80, o chamado BRock, que em pleno século XXI é até hoje insuperável. Mas é diferente. Os anos 80 estão em mim, de modo indelével, mas me atingem de forma quase inconsciente, vaga, onírica. Nasci em 78, afinal de contas. São músicas que acompanharam a infância e, se hoje lembramos com carinho, na própria infância não se esquenta muito com isso.

